Promulgado o acordo provisório de comércio MERCOSUL-UNIÃO EUROPEIA

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O documento, que encerra décadas de negociações e sofreu ajustes recentes para proteger interesses nacionais, cria um marco comercial específico para impulsionar e regular as trocas entre a América do Sul e a Europa.

Entenda os impactos, as polêmicas e o que muda com o tratado internacional aprovado entre os blocos.

Histórico e o Pacote de Brasília

O Brasil e os demais países iniciaram as negociações formais para o livre comércio em 1999.

Após um “acordo político” de convergência em 2019, o texto passou por sete rodadas de negociação entre 2023 e 2024. Esse ciclo resultou no “Pacote de Brasília”, que ajustou as regras ambientais e de compras governamentais para proteger a soberania nacional.

O texto final foi oficialmente assinado em 17 de janeiro de 2026, no Paraguai.

Como vai funcionar a aprovação?

Para evitar a lentidão burocrática e as dificuldades de aprovação na UE, o tratado foi dividido em duas partes:

 
 

No Brasil, o texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal por meio de um decreto legislativo

Quem ganha e quem perde?

O tratado é informalmente conhecido no exterior como “cows for cars” (vacas por carros), pois simbolizaria a troca de matérias-primas por produtos manufaturados.

Parte da literatura econômica avalia que o acordo vai aprofundar esse padrão de especialização.

Em contrapartida, há estudos que preveem ganhos para o Brasil, apontando impactos positivos inclusive para os setores da indústria de transportes e de aviação.

Abertura
A União Europeia eliminará as tarifas de cerca de 95% das linhas importadas do Mercosul, enquanto o Mercosul fará o mesmo para 91% dos bens europeus

 

Ganhadores
O setor agroalimentar brasileiro e de exportação de produtos primários (como cereais e carnes) terá uma forte expansão. Alguns estudos indicam que o setor de transportes e aviação também poderá se beneficiar

 

Perdedores
Certos setores industriais nacionais (como máquinas, equipamentos eletrônicos e produtos farmacêuticos) enfrentarão maior concorrência dos produtos europeus

 

 

Produtos em destaque nas cotas comerciais

Carnes
O agronegócio terá um salto. A carne bovina do Mercosul terá uma cota adicional de 99 mil toneladas. A carne de frango ganhará acesso a mais 180 mil toneladas com tarifa zero

 

 

Açúcar
O impacto positivo será limitado. O produto continuará a enfrentar tarifas elevadas (fora da cota) na Europa para proteger a produção local de beterraba

 

 

Cachaça e sucos
A cachaça terá eliminação de tarifas em 4 anos para as garrafas menores, e o suco de laranja terá uma margem de preferência de 50%

 

O risco do protecionismo e as salvaguardas

Apesar dos benefícios, o agronegócio nacional corre riscos devido a um regulamento aprovado unilateralmente pela União Europeia para proteger seus agricultores.

Gatilho automático
Se as importações brasileiras aumentarem apenas 5% e entrarem com preço 5% inferior ao praticado na Europa, a UE pode presumir “dano grave” quase automaticamente.

Rito sumaríssimo
A Europa pode bloquear provisoriamente mercadorias em um prazo de até 21 dias. Só no mercado da carne bovina, as perdas podem chegar a 105 milhões de euros no primeiro ano caso esse mecanismo seja ativado.

Efeitos nos diferentes setores

Meio ambiente e regras inéditas
Diferentemente de acordos antigos, o tratado eleva a sustentabilidade a um vetor coercivo. O comércio fica vinculado à implementação efetiva do Acordo de Paris. A violação grave de compromissos climáticos é considerada quebra de “elemento essencial” e pode resultar na suspensão do tratado comercial

Licitações e compras governamentais
Para não prejudicar suas políticas públicas, o Brasil garantiu regras específicas e exceções durante a negociação

 

 

Saúde e agricultura blindadas
As compras do Sistema Único de Saúde (SUS) e da agricultura familiar (como a alimentação escolar) foram totalmente excluídas do acordo, não sofrendo concorrência europeia

 

Indústria nacional (offsets)
O governo mantém o direito permanente de exigir compensações nas licitações, como a transferência de tecnologia ou a exigência de conteúdo local

 

Reserva para micro e pequenas empresas
O texto legitima a proteção às micro e pequenas empresas, garantindo cotas de reserva de mercado de até 25% do valor da licitação exclusivamente para elas

 

Estados e municípios na vitrine
A concorrência europeia vale para as compras regionais, mas apenas para os estados que o Brasil listou voluntariamente

 

 

Regra da lista positiva para serviços
Nos serviços licitados, apenas os setores expressamente listados pelo Brasil estarão abertos à concorrência externa

 

 

Agencia Câmara de Noticias 18/3/2026

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