CVM nomeia recém-empossado de 26 anos para superintendência de setor chave

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Nomeação de jovem com pouca experiência na Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários causou estranhamento em parte da área técnica

O presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários, João Costa Accioly, nomeou na última terça-feira (7/3) um assessor recém-concursado de 26 anos para ser o chefe da Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários (SMI).

Egmon Henrique de Oliveira Costa está há menos de seis meses no órgão de fiscalização — foi nomeado como inspetor em outubro e tomou posse em novembro de 2025. Desde janeiro, ele era assessor de Accioly. Ele é advogado e tem mestrado na Fundação Getúlio Vargas, segundo sua página no LinkedIn. 

A nomeação de um jovem com pouca experiência na instituição como superintendente de um dos braços mais importantes da CVM causou estranhamento em parte da área técnica.

Quem ocupava o cargo anteriormente era André Passaro, que tinha 21 anos de experiência no órgão e é muito respeitado internamente. Ele havia assumido a superintendência em 2023, depois de 5 anos como gerente de acompanhamento de mercado. Sua saída foi um pedido dele mesmo, segundo a CVM.

O presidente interino da CVM, João Accioly / Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado

Ao JOTA, Accioly afirmou que entende o receio diante da mudança, mas que Egmon Costa é a escolha certa por trazer uma visão nova e menos engessada para a instituição. “A escolha de um talento jovem é compreensivelmente recebida com receio por posturas conservadoras, mas a própria falta do hábito ao status quo facilita uma visão mais aberta a transformações profundas como as que o mercado brasileiro está passando – com a segurança que a experiência da equipe assegura”, disse ele.

 

Em nota, o órgão afirma que as nomeações para superintendências seguem critérios técnicos e estão “alinhadas à dinâmica de renovação da CVM frente a transformações pelas quais o mercado está passando, sempre apoiada em um corpo técnico qualificado e experiente”.

A SMI é responsável pelas atividades de registro, orientação, sanção e apoio à normatização em entidades administradoras de mercados organizados, de compensação e liquidação, custodiantes, escrituradores, depositários centrais, intermediários de valores mobiliários, assessores de investimento e entidades autorreguladoras.

Isso significa que o órgão tem atividades como a proposição de autorizações para o funcionamento de bolsas e balcão, análise de especificações de contratos derivativos, suspensão de atividades irregulares no mercado de valores mobiliários e investigações envolvendo práticas irregulares. 

Mudanças

A CVM vem passando por mudanças desde o estouro do caso do Banco Master.

Na segunda-feira (6/7), Accioly afirmou que parte das mudanças foram pensadas a partir das conclusões do grupo de trabalho que fez um “pente-fino” no órgão após a repercussão do caso. 

Segundo o presidente, não foram encontradas irregularidades ou falhas específicas ao caso, mas a análise ajudou a entender de forma geral os pontos do órgão que precisam de uma melhora na eficiência. 

“O grupo permitiu que a gente conhecesse melhor os processos internos e encontrasse pontos de ineficiência ou que precisamos melhorar”, disse Accioly em um evento da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ). 

Na semana passada, Accioly destituiu três superintendentes: os chefes da Superintendência-Geral (SGE), Alexandre Pinheiro dos Santos; de Supervisão de Investidores Institucionais (SIN), Marco Velloso; e do SMI, André Passaro. O chefe da assessoria de comunicação, João Mançal, também deve sair, no final de abril, quando voltar das férias. 

No caso de Passaro e Mançal, as saídas foram pedidos dos próprios chefes de seção, afirma a CVM, e não têm a ver com casos específicos.

“Sobre a saída de Andre Passaro, o servidor comunicou sua decisão de deixar a Autarquia após receber proposta do setor privado. Já no início de março iniciou os trâmites internos para seu desligamento, informando sua intenção de deixar o cargo no início de abril, a fim de concluir trabalhos em andamento”, diz a CVM em nota.
 
“Embora o cargo de Superintendente não o exija, Passaro observará um período de quarentena voluntário, que propôs já em seu comunicado inicial de deixar o serviço público, antes de iniciar as atividades no setor privado”,
 
“As apurações do Grupo de Trabalho formado para tratar da atuação da CVM em relação a Master e Reag revelaram que a SMI, sob a gestão de Passaro, teve atuação exemplar, incluindo as investigações que deram suporte à operação Compliance Zero – além de entregas relevantes para o mercado de capitais durante todo seu mandato”, diz a autarquia
 
A saída de Marçal também foi um pedido do próprio. “No início de março, sinalizei ao presidente interino meu interesse em sair diante de algumas oportunidades de mercado. Alinhamos um prazo que fosse adequado para todos — para mim e para a CVM”, disse ele ao JOTA.”Reforço também que essa decisão não tem qualquer relação com questões envolvendo Master ou outro tema. Foi um movimento exclusivamente meu, assim como no caso do André Pássaro.”
 

Accioly está na presidência do órgão interinamente — ele também ocupa um dos dois únicos cargos de diretor que não estão vagos. Dos cinco postos de direção na entidade, três estão desocupados, aguardando a sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. A falta de quórum nos postos de indicação política da CVM atrasa o julgamento de processos e decisões regulatórias. 

Crédito: Letícia Mori / JOTA – @ disponível na internet 10/4/2026

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