Acordo UE–Mercosul reforça papel estratégico do Inmetro na metrologia diplomática e na competitividade da indústria brasileira

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Metrologia diplomática e infraestrutura da qualidade como bases da competitividade, da soberania regulatória e da inserção internacional do Brasil

A assinatura do Acordo União Europeia–Mercosul reposiciona o Brasil em um cenário geopolítico cada vez mais marcado por disputas estratégicas, cadeias globais de valor mais exigentes e elevados padrões técnicos, regulatórios e de conformidade.   

Nesse novo contexto, o Inmetro assume papel central como instituição de Estado, atuando no alicerce da metrologia diplomática, da Infraestrutura da Qualidade, da Nova Indústria Brasileira (NIB) e da proteção das relações de consumo.

Mais do que um acordo comercial tradicional, o tratado passa a ser compreendido como um instrumento estratégico de autonomia e posicionamento internacional, especialmente diante das assimetrias históricas entre os setores agroexportadores e a indústria.   

Conforme analisado pela Deutsche Welle, o acordo reflete uma guinada geopolítica na qual normas técnicas, requisitos regulatórios e padrões de qualidade assumem papel central nas relações entre blocos econômicos.

O sucesso do Acordo UE–Mercosul depende diretamente da solidez da Infraestrutura da Qualidade, responsável por sustentar a confiança entre mercados, reduzir barreiras técnicas ao comércio e assegurar o reconhecimento internacional de produtos e processos.

Nesse cenário, o Inmetro exerce papel central como articulador técnico e institucional dessa infraestrutura, fortalecendo a posição do Brasil no comércio internacional e garantindo que normas e regulamentos atuem como instrumentos de desenvolvimento, e não como obstáculos disfarçados ao comércio.

No campo da metrologia diplomática, o Inmetro atua como ponte técnica entre Estados, contribuindo para a harmonização regulatória, o reconhecimento mútuo de resultados e a superação de barreiras técnicas ao comércio.

Essa atuação é estratégica para assegurar que a inserção do Brasil no mercado europeu ocorra em condições equilibradas, preservando a soberania regulatória nacional e ampliando a competitividade dos produtos brasileiros.

Os serviços de metrologia científica e industrial prestados pelo Inmetro constituem outro pilar essencial nesse processo. Ao disponibilizar infraestrutura laboratorial de excelência, calibrações, ensaios e conhecimento técnico reconhecido internacionalmente, o Instituto contribui para a redução dos custos da indústria nacional, evitando a dependência de serviços técnicos no exterior e fortalecendo a autonomia tecnológica do país — fator decisivo para o sucesso da Nova Indústria Brasileira no contexto do acordo UE–Mercosul.

Sérgio Ballerini é Mestre em Sistema de Gestão; Analista Executivo em Metrologia e Qualidade; Servidor público federal aposentado. Secretário-Geral do ASMETRO-SI.

No âmbito das relações de consumo, o fortalecimento da infraestrutura da qualidade garante que a ampliação do comércio internacional ocorra com segurança, transparência e proteção ao consumidor, assegurando que produtos importados e exportados atendam a requisitos equivalentes de qualidade, desempenho e segurança.

O Acordo UE–Mercosul evidencia, assim, que o Inmetro não é apenas um órgão técnico, mas um ativo estratégico do Estado brasileiro, essencial para a competitividade industrial, para a soberania regulatória e para uma inserção internacional baseada em confiança, qualidade e valor agregado.

O fortalecimento institucional do Inmetro e a valorização de sua força de trabalho são condições indispensáveis para que o Brasil transforme o acordo em desenvolvimento, inovação e benefícios concretos para a sociedade

 

Sergio Ballerini / 17/1/2026
Fontes de consulta

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