
Posts em redes sociais mostram vídeos gravados sem consentimento por câmeras escondidas em óculos inteligentes e levam debate sobre privacidade a novo patamar; humorista Paulo Vieira teve diálogo com açougueiro publicado: ‘Me senti meio traído’
Óculos conectados são estilosos e trazem ótimos recursos tecnológicos; no entanto, eles são uma máquina de coleta de dados. “Acabou. Não dá mais pra confiar em quem está de óculos.”
No sábado, 7 de fevereiro, o humorista Paulo Vieira foi às redes reclamar de uma conversa trivial com o açougueiro que foi parar no Instagram. Contou que o atendente utilizava óculos com câmera, mas o aparelho não tinha indicação de que estava ligado. E ele tampouco sabia que estava sendo gravado.
“Eu achei que era só uma conversa entre dois seres humanos, mas no fim era a m*rda da produção de conteúdo. Eu me senti meio traído, sabe?”, disse. “Parece que postar qualquer coisa insignificante sobre a sua vida não é mais opcional: se você não fizer, vão fazer por você. O açougueiro com os óculos que filma vai contar pro mundo se você comprou acém ou maminha.”
Em geral, uma luz na armação de dispositivos do tipo indica quando estão filmando ou tirando fotos. Mas, como já há soluções à venda para escondê-la, descobrir se uma conversa na rua, no parque ou num ambiente privado também está sendo registrada para sabe-se lá o que virou um desafio. Que promete fazer cada vez mais vítimas.
Casos fora do Brasil permitem medir as consequências que vídeos gravados sem consentimento pelos óculos inteligentes em vias públicas, praias, elevadores e outros ambientes podem alcançar. E elas parecem assustadoras. Principalmente para mulheres.. Em alguns casos, junto com seu número de telefone.
“Perguntavam se eu tinha página no OnlyFans (plataforma de conteúdo adulto), se eu produzia conteúdo e ficavam pedindo para ‘eu dizer o meu preço’”, contou uma delas.
“Nas primeiras semanas, eram tipo 30, 40 pessoas me ligando, me mandando mensagem o tempo todo”, disse uma outra vítima. “Eu recebia chamadas de vídeo às 2h, 3h da manhã. E nem tinha percebido que meu número estava no vídeo até alguém me avisar. É um desses momentos em que seu coração despenca. Acho que não tem outra forma de explicar. É tipo: ‘Meu Deus, ele postou o vídeo. Ele me filmou enquanto a gente conversava.’ Eu só queria chorar.”
Agora vocês conseguem imaginar o que pode significar isso em contextos de pessoas mais vulneráveis e conflitos familiares por exemplo? O futuro dirá.
Crédito: Luciana Garbin / O Estado de São Paulo – @ disponível na internet 10/2/2026












