Geração R

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@ reprodução interenet

Em dias nublados, quando parece baixar o meu nível de serotonina, imerjo-me no interior temporal de meu ser.

Com saudosismo não admitido, ouço Belchior, com sua voz anasalada, assisto a videos com jogadas de Dr. Sócrates ou a lances mágicos do Maradona.

Quando me pego ouvindo Simples Carinho, de João Donato, na voz de Ângela Rô Rô, é sinal de que já fui solitário na vida afetiva.

Léssio Lourenço Nunes é Analista Executivo em Metrologia e Qualidade, no Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia-Inmetro

Se me pegarem ouvindo Simples Carinho, na voz de Hebe Camargo, é porque, além de ter sido só na vida, devo ter vivido noites frias e sem mulheres, tal na Confidência do Itabirano, de Carlos Drummond de Andrade.

Contudo, se a minha rádio Inconfidência me sintoniza com a Brasileiríssima e traz Juventude Transviada, na inigualável voz do Melodia, eu me reconecto com meu ser mais que interior e pueril.

De tudo, se a saudade me acossa em demasia, pego minhas tralhas de pesca e vou pra beira de um lago. E lá mergulho em uma infância vivida com autenticidade.

E assim, a vida presente e a passada se imbricam em uma tênue teia emaranhada de sonhos, gratitude e memória.

Acho que sou da geração R, de retrô mesmo.

Apenas isso!

LESSIO LOURENCO NUNES – 18/2/2026

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