5ª edição da PeNSE: meninas são as maiores vítimas de violência sexual
Em 2024, 18,5% dos estudantes informaram ter passado por situação em que alguém o tocou, manipulou, beijou ou expôs partes do corpo contra a sua vontade alguma vez na vida. Esse tipo de violência foi mais reportado pelas meninas, visto que 26,0% delas passaram por essa situação de assédio alguma vez na vida. Esse percentual é mais de o dobro do registrado para os meninos (10,9%).
São informações da 5ª edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada em 2024, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde (MS) e o com apoio do Ministério da Educação (MEC), que entrevistou estudantes de 13 a 17 anos, das redes públicas (84,3%) e privada (15,7%) do 7° ao 9° ano do Ensino Fundamental e do 1° ao 3° ano do Ensino Médio.
A comparação com os resultados de 2019 mostrou que houve um aumento de 3,8p.p. no percentual de escolares de 13 a 17 anos que já sofreram assédio sexual alguma vez, cuja variação foi mais acentuada para as meninas (5,9p.p.) e para os estudantes da rede pública (4,2p.p.). As situações de assédio sexual foram mais reportadas por adolescentes com 16 e 17 anos de idade (20,9%), visto que na faixa etária de 13 a 15 anos o percentual daqueles que passaram por essa situação foi 17,1%.
A pesquisa também apontou que, de forma geral, o adolescente brasileiro se mostrou menos satisfeito com sua imagem corporal, com quedas sucessivas demonstradas nas edições da PeNSE em 2015 (70,2%), 2019 (66,5%) e 2024 (58,0%).
Quanto ao consumo de substâncias psicoativas, os dados indicam redução do uso de cigarro, álcool e drogas ilícitas entre 2019 e 2024.
No campo da saúde mental, quatro dos seis indicadores avaliados apresentaram melhora em relação a 2019, contrariando expectativas de agravamento pós-pandemia.
Na saúde sexual, verificou-se adiamento da iniciação sexual; de 35,4%, em 2019; para 30,4%, em 2024 e redução do uso de preservativos.
Aumento do percentual de adolescentes vítimas de violência sexual. Entre os 1,1 milhão de adolescentes que relataram relação sexual forçada, a maioria tinha 13 anos ou menos quando sofreu a violência.
Meninas são as maiores vítimas de bullying no ambiente escolar
Os dados revelaram que, no Brasil, 59,7% dos estudantes declararam não ter sofrido bullying, enquanto 27,2% relataram ter sofrido duas ou mais vezes, o que indica que mais de um quarto dos estudantes vivenciaram situações recorrentes de bullying, nos últimos 30 dias anteriores à pesquisa.
Comparando as edições de 2019 e 2024, percebe-se uma tendência de aumento do percentual de estudantes declarando sofrer bullying no Brasil, subindo de 23,0% (2019) para 27,2% (2024).
Quantos aos dados por sexo 62,7% dos meninos e 56,7% das meninas declararam não sofrer bullying. As meninas (30,1%) tiveram maior percentual na declaração de se sentirem humilhados por provocações de colegas, duas vezes ou mais, apresentando maior vulnerabilidade, com diferença de 5,8p.p. em relação aos meninos (24,3%).
De forma geral, os dados revelaram que, no Brasil, 13,7% dos estudantes declararam ter praticado bullying nos últimos 30 dias anteriores à pesquisa. Desse total, 16,5% dos meninos e 10,9% das meninas, revelando que os meninos praticam bullying com maior frequência, com diferença de 5,6 p.p. em relação às meninas.
Quando analisamos a vitimização e a prática de bullying, o percentual de vítimas é quase o dobro (27,2%) do percentual de agressores declarados (13,7%). Meninas sofrem mais bullying (30,1%), enquanto meninos praticam mais bullying (16,5%). Quanto às escolas, os percentuais de escolares de escola pública (27,2%) e das escolas privadas (27,5%) que sofrem e os percentuais de escolares de escola pública (13,6%) e das escolas privadas (14,0%) de quem pratica, possuem diferenças mínimas, tanto para vítimas quanto para agressores, mostrando que o bullying é um problema transversal, presente em ambos os contextos escolares.
Bullying nas redes sociais atinge cerca de 1 em cada 8 adolescentes
A PeNSE vem investigando a ameaça por bullying cibernético sofrida pelos escolares desde a edição passada e, nessa versão, incluiu também a questão sobre a prática do cyberbullying pelos escolares.
Os dados da edição de 2024, revelaram que o bullying nas redes sociais atinge cerca de 1 em cada 8 adolescentes no Brasil. Os resultados nacionais mostraram que 12,7% dos adolescentes relataram ter sofrido bullying nas redes sociais, sendo as meninas (15,2%) mais afetadas do que meninos (10,3%). Os alunos da rede pública (13,4%) declararam sofrer bullying online mais do que os da rede privada (9,4%). Indicando que gênero e dependência administrativa da escola são fatores relevantes na exposição ao bullying virtual.
Sobre a prática do bullying pela internet declarada pelos escolares, podemos inferir que, em média, 1 em cada 10 adolescentes admite já ter praticado cyberbullying. Os resultados nacionais mostraram que 10,0% dos adolescentes afirmaram ter praticado bullying nas redes sociais. Os dados indicam que há mais vítimas (12,7%) do que agressores declarados (10,0%).
A prática é mais comum entre os meninos (11,6%) do que entre as meninas (8,4%). A diferença entre rede pública (9,9%) e rede privada (10,3%) é pequena, indicando comportamento relativamente disseminado em ambas dependências administrativas.
Computadores e tabletes estão na vida escolar de 68,5% dos estudantes de 13 a 17 anos
O resultado da PeNSE 2024 mostrou que a biblioteca era um recurso disponível para 78,4% dos escolares em escolas que informaram possuir essa instalação em condições de uso. Com relação à dependência administrativa da escola, 77,5 % dos escolares da rede pública e 83,3%, dos escolares da rede privada dispunham de biblioteca em suas escolas.
Os dados também revelaram que, no Brasil, 68,5% dos estudantes de 13 a 17 anos estavam em escolas que possuíam computadores e/ou tablets destinados ao uso individual dos alunos. Observa-se que a rede pública (69,3%) apresentou percentual superior ao da rede privada (64,2%).
Industrializados e ultraprocessados estão presentes na alimentação de 40% dos pesquisados
Apenas 75,9% dos estudantes de 13 a 17 anos consumiu mais de três copos de água no dia anterior. Importantes variações por sexo (rapazes: 81,3%; moças: 70,6%) e dependência administrativa da escola (pública: 75,0% e privada: 81,0%).
As estimativas para marcadores de alimentação saudável (MAS) e alimentos ultraprocessados (AUP) revelam consumo majoritário de arroz, macarrão e milho verde (80,8%) e carnes (74,9%) entre estudantes de 13 a 17 anos no dia anterior à pesquisa. Em contraposição, verduras e legumes foram consumidos por menos de 1/3 dos informantes. Já o consumo de sobremesas industrializadas, pães ultraprocessados, refrigerantes, biscoitos salgados e doces foi relatado por mais de 40,0% dos jovens.
Séries e filmes ocupam duas horas diárias da vida do estudante
Em 2024, mais de 1/3 dos escolares brasileiros permaneciam mais de duas horas diárias assistindo filmes, séries, novelas e outros programas em plataformas digitais de vídeo ou na televisão. Outros 44,5% costumavam ficar sentados realizando atividades diversas, estimativa 21,3% superior ao tempo de tela.
Atividade física acumulada
As estimativas de tempo de atividade física acumulada de escolares de 13 a 17 anos totalizaram 9,7% inativos, 58,4% insuficientemente ativos e 30,6% ativos.
Equipamentos para atividade física são acessíveis a 68,0% dos escolares
O indicador de atividade física acumulada é investigado na PeNSE desde sua primeira edição em 2009. Ele é obtido pelo somatório dos tempos de atividade física da semana anterior à pesquisa informados pelos escolares em oito quesitos que contemplam três domínios da prática de atividade física: deslocamento entre casa e escola, aulas de educação física na escola e atividades físicas extraescolares.
Ainda que mais de 90,0% dos escolares brasileiros tivesse acesso a práticas físicas escolares orientadas por professor de educação física, em 2024, o material e equipamentos necessários ao desenvolvimento dessas atividades estava acessível a apenas 68,0% deles, principalmente devido ao baixo percentual de estudantes da rede pública (62,7%).
Pesquisa registra aumento no uso de cigarro eletrônico
Quanto ao consumo de substâncias psicoativas, os dados indicam redução do uso de cigarro, álcool e drogas ilícitas entre 2019 e 2024, mas preocupante aumento do uso de cigarros eletrônicos, cuja venda é proibida no Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que tais produtos têm sido direcionados agressivamente aos jovens, e representam ameaça ao progresso no controle do tabagismo.
O Brasil, em conformidade com a Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde para Controle do Tabaco (CQCT/OMS), da qual o Brasil é signatário, ratifica a proibição do comércio de produtos derivados do tabaco aos menores de 18 anos. Além disso, a legislação brasileira proíbe a fabricação, importação, comercialização, propaganda e distribuição de cigarros eletrônicos conforme resoluções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de 2024, reforçando a proibição de 2009.
A experimentação do cigarro eletrônico passou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024. Essa experimentação é mais frequente entre as meninas (31,7%) o que entre os meninos (27,4%) e entre os escolares da rede pública (30,4%) do que os da rede privada (24,9%). Esse crescimento se deu de forma generalizada em todas as Grandes Regiões do País, permanecendo as Regiões Centro-Oeste (42,0%) e Sul (38,3%), com os maiores percentuais e as Regiões Nordeste (22,5%) e Norte (21,5%) com os menores.
Com relação ao consumo recente de outros produtos do tabaco, medido através do tipo de produto do tabaco que usou nos 30 dias anteriores à pesquisa, também se observa a importante modificação que aumenta em mais de 300,0% no caso do cigarro eletrônico (de 8,6% para 26,3%) e reduz à metade para o consumo do narguilê (de 23,8% para 10,6%). Ao passo que os escolares que declararam que não fizeram uso de outros produtos do tabaco permaneceu praticamente inalterado (62,3% em 2024 e 61,7% em 2019).
A experimentação do cigarro, entre os estudantes de 13 a 17 anos que fumaram cigarro alguma vez na vida, foi de 18,5%. Já a experimentação de bebidas alcoólicas foi de 53,6%, na mesma faixa etária, variando de 46,4% nos escolares de 13 a 15 anos, atingindo 66,3% nos escolares de 16 e 17 anos.
Em 2024 a experimentação de drogas caiu para 8,3%, número abaixo das edições anteriores, onde em 2015 foi de 12,0% e em 2019 13,0%.
61,7% dos adolescentes usaram preservativo na primeira relação sexual
Em 2024, o percentual de escolares de 13 a 17 anos que já tiveram relação sexual foi 30,4%, o que representou uma redução de 5,0 p.p. em relação a 2019. Já uma parcela significativa dos adolescentes não utilizou preservativo na primeira relação sexual, visto que o percentual de uso foi de 61,7%.
Também um em cada três escolares de 13 a 17 anos de idade que já iniciaram a vida sexual tinha usado a pílula do dia seguinte alguma vez na vida. Os dados da PeNSE registraram que 121 mil meninas de 13 a 17 anos de idade já engravidaram alguma vez, o que representou 7,3% daquelas que já iniciaram a vida sexual. Desse total, 98,7% eram de escolas da rede pública.
Aumento de 26,7% no percentual de adolescentes de 13 a 17 anos que já sofreram assédio sexual
Em 2024, os resultados indicaram que 12,5% dos escolares deixaram de ir à escola por falta de segurança no caminho de casa para a escola ou da escola para a casa nos 30 dias anteriores à pesquisa. O percentual de escolares da rede pública que passaram por esse tipo de situação (13,8%) era mais de o dobro do observado na rede privada (5,4%).
O percentual de alunos que se envolveram em brigas com luta física teve um aumento de 0,6 p.p. Esse tipo de comportamento teve maior prevalência entre alunos do sexo masculino (15,8%) e escolares da rede pública (11,7%).
Ainda, 18,5% dos escolares informaram terem passado por situação em que alguém o/a tocou, manipulou, beijou ou expôs partes do corpo contra a sua vontade alguma vez na vida. Esse tipo de violência foi mais reportado pelas meninas, visto que 26,0% delas passaram por essa situação de assédio alguma vez na vida. Esse percentual é mais de o dobro do registrado para os meninos (10,9%).
A comparação com os resultados de 2019 mostrou que houve um aumento de 3,8 p.p. no percentual de adolescentes de 13 a 17 anos que já sofreram assédio sexual alguma vez, cuja variação foi mais acentuada para as meninas 5,9 p.p. e para os estudantes da rede pública 4,2 p.p.
19,4% dos alunos de 13 a 17 anos afirmaram ter tido dor de dente
Excluindo-se a dor de dente causada por aparelhos ortodônticos, 19,4% dos alunos de 13 a 17 anos afirmaram ter tido dor de dente nos seis meses anteriores à pesquisa em 2024. No mesmo período, mais de um terço dos escolares da mesma faixa etária não foram nenhuma vez ao dentista nos 12 meses anteriores à pesquisa, (34,5%). E ainda, 68,9% tiveram frequência diária de escovação de dentes igual ou superior a três vezes.
Ausência na sala de aula por falta de absorventes atinge mais meninas da rede pública
Os resultados indicaram que grande parte dos adolescentes tinha o hábito de lavar as mãos com sabão ou sabonete 3 ou mais vezes ao dia (76,0%).
A pesquisa também apontou que 15,3% das adolescentes de 13 a 17 anos de idade deixaram de ir à escola ao menos um dia nos 12 meses anteriores à pesquisa por falta de absorvente. Na rede pública, 16,9% das meninas faltaram às aulas em razão da falta desse item de higiene, cujo percentual foi mais de o dobro do verificado para as meninas na rede privada (6,4%).
58% dos estudantes se declararam ‘muito satisfeitos’ ou ‘satisfeitos’ com a própria imagem corporal
Quando considerado o “sentimento em relação ao próprio corpo”, do total de adolescentes da amostra para o grupo etário de 13 a 17 anos, 58,0% deles se declararam ‘muito satisfeitos’ ou ‘satisfeitos’ com a própria imagem corporal; 27,2% se disseram ‘muito insatisfeitos’ ou ‘insatisfeitos’ e 14,0% alegaram ‘indiferença’.
Já para o indicador “atitude em relação ao próprio peso corporal”, para a faixa etária de 13 a 17 anos, as respostas dos adolescentes brasileiros demonstraram que 36,3% deles não estão fazendo nada para alterar o próprio peso.
Em 2024, é interessante observar que para a faixa etária de 13 a 15 anos o percentual de adolescentes que disseram não ter amigos próximos foi de 3,9% enquanto o percentual para o grupo de 16 e 17 anos foi 5,5%, ou seja, à medida que a idade dos escolares aumenta, a ausência de amigos próximos torna-se mais frequente.
Em 2024, o percentual de escolares que responderam na ‘maioria das vezes’ ou ‘sempre’ para o sentimento de tristeza relatado nos últimos 30 dias foi de 28,9%. Quando os resultados para esse indicador foram comparados com os da pesquisa realizada em 2019 (31,4%), nota-se uma diminuição de 2,5 p.p. na frequência relatada de tristeza entre os adolescentes no País.
Para o indicador ‘ninguém se preocupa com ele’, o percentual de estudantes que relataram sentir-se desse modo, na ‘maioria das vezes’ ou ‘sempre’, nos últimos 30 dias, foi de 26,1%.
Quanto à preocupação com as coisas comuns do dia a dia, quase metade dos adolescentes do país (49,7%), entre 13 e 17 anos, alegou sentir-se desse modo ‘na maioria das vezes’ ou ‘sempre’, nos 30 dias anteriores à pesquisa.
Considerando a ‘vida não vale a pena ser vivida’, 18,5% dos adolescentes disseram ter se sentido desse modo ‘na maioria das vezes’ ou ‘sempre’, nos 30 dias anteriores à pesquisa.
O percentual de estudantes que respondeu ter sentido vontade de se machucar de propósito, nos 12 meses anteriores à pesquisa, foi de 32,0%.
Suporte psicológico atinge 47,7% dos alunos
Em 2024, os resultados da PeNSE indicaram que 66,6% dos escolares de 13 a 17 anos consideravam o estado de saúde deles muito bom e bom. Quando o assunto é vacinação, apenas 54,9% dos escolares se vacinaram contra o HPV, e 84,1% tinham sido vacinados contra a COVID-19.
Ainda, 38,0% dos estudantes estavam em escolas onde havia um grupo ou comitê com a atribuição de orientar e coordenar ações relacionadas à saúde. O percentual de estudantes em escolas da rede pública que tinham aderido ao Programa de Saúde Escolar (PSE) foi 53,4%.
Os resultados mostraram que 70,8% dos estudantes estavam em escolas que realizaram ações educativas sobre prevenção de gravidez. Na rede pública, o percentual de estudantes em escolas que realizaram esse tipo de ação foi mais elevado que o observado na rede privada (75,7% contra 45,0%).
Vale destacar que em 2024, a PeNSE inovou com a inclusão da informação sobre a existência na escola de algum suporte psicológico para alunos, professores e funcionários em casos de bullying e violências. Os resultados mostraram que 47,7% dos alunos estavam em escolas com algum tipo de suporte. Os estudantes em escolas da rede privada apresentaram um percentual mais elevado (58,2%) comparado ao da rede pública (45,8%).
Editoria do IBGE: Estatísticas Sociais 26/3/2026













