Ajuizada duas ações contra o Bradesco e a Amil, por terem descredenciado cerca de 500 médicos. Vem ai os Planos de Saúde Populares a R$ 80,00.

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Descredenciamentos em massa de planos de saúde aumentam espera por atendimento.

As carteirinhas dos planos de saúde não têm garantido a muitos usuários atendimento rápido e qualidade na marcação de consultas, na realização de exames e nas internações. A origem do problema, segundo entidades médicas, está nas dificuldades financeiras das operadoras e nos descredenciamentos em massa de profissionais, clínicas e hospitais. Por isso, o Sindicato dos Médicos ajuizou duas ações contra Bradesco e Amil, alegando que cerca de 500 médicos foram descredenciados apenas entre maio e junho.

As queixas de consumidores contra os convênios cresceram 11%, no primeiro semestre de 2016, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o portal Reclame Aqui.

— Um número reduzido de profissionais vem sendo contratado, mas com critérios de produtividade e limitação de pedidos de exames. Ao aumentar o número de pacientes e reduzir o de médicos, eleva-se o tempo de espera para marcação de exames e internação — disse Jorge Darze, presidente do Sindicato dos Médicos.

A Unimed-Rio, por sua vez, passou a descontar dos médicos 25% de todas as consultas e 35% dos exames realizados para quitar débitos com credores. A Casa de Saúde São José, no Humaitá, na Zona Sul do Rio, já anunciou que a partir de 3 de agosto deixará de atender os usuários do plano. Fontes do setor afirmam que a cooperativa atrasou pagamentos a clínicas e hospitais, mas que a negociação com a São José azedou quando a clínica exigiu um reajuste de 33% sobre os procedimentos.

— Sofro de hipertensão, e meu cardiologista saiu da rede. Além disso, minha filha precisa fazer um exame, e as principais redes de laboratórios da Tijuca e de Vila Isabel não estão atendendo clientes da Unimed — reclamou o técnico de informática Fábio Mourão, de 40 anos.

Por causa de descredenciamentos, a psicologa Fernanda Cuppolilo, de 33, utilizou as redes sociais para pedir indicações de médicos:

— Minha ginecologista saiu do plano, e liguei para cinco profissionais, mas eles também deixaram de atender.

Com dificuldades financeiras, a Unimed-Rio apresentou à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) um plano de recuperação em 36 meses.

Explicações

Unimed-Rio

A cooperativa informou que a rede de prestadores é móvel e sofre alterações de acordo com diversos fatores, como a estratégia da operadora, o dimensionamento da cobertura e a falta de acordo em negociações, entre outros. Ainda segundo a Unimed-Rio, qualquer mudança na rede credenciada é aprovada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e só é feita mediante a apresentação de um prestador substituto ou de suficiência da rede para o volume de atendimentos do prestador descredenciado. Em relação à Casa de Saúde São José, a cooperativa afirmou que mantém as negociações e tem uma perspectiva positiva em relação à manutenção da parceria. Sobre a redução dos valores pagos aos médicos, a Unimed-Rio declarou que o desconto sobre a produção tem como objetivo ajudar em sua recuperação econômico-financeira, atendendo a uma orientação da ANS. A medida consta do Programa de Saneamento entregue pela cooperativa à agência reguladora.

Bradesco

A Bradesco Saúde informou que desconhece a ação judicial e que segue as normas de conduta estipuladas pela legislação e pela ANS. O plano de saúde afirmou que conta com uma rede composta por cerca de 90 mil médicos, que atendem em consultórios e clínicas, além de 2.400 hospitais e 10.800 serviços de imagem e análises laboratoriais. A empresa declarou, ainda, que seus clientes contam com uma central de atendimento 24 horas, sete dias por semana, pelos números 4004-2700 e 0800-701-2700.

Amil

A empresa afirmou que, até o momento, não foi citada na ação civil pública do Sindicato dos Médicos. A operadora declarou que respeita as condições contratuais, e que as alterações em sua rede credenciada seguem as diretrizes estabelecidas pela ANS, inclusive em relação à substituição de prestadores e à comunicação de mudanças no atendimento. A Amil argumentou, também, que as alterações relacionadas ao credenciamento de médicos são necessárias para manter o equilíbrio da rede, de acordo com a localização geográfica, e que não adota restrições em relação à prática médica.

Casa de Saúde São José

A clínica confirmou que, a partir do dia 3 de agosto, não atenderá mais os usuários da cooperativa médica Unimed-Rio. O hospital ressaltou que o atendimento para os pacientes internados não será afetado, assim como a realização de procedimentos cirúrgicos já agendados. A casa de saúde declarou, ainda, que a medida foi motivada por decisões gerenciais internas, relacionadas às negociações com a cooperativa, e está em conformidade com as normas da ANS.

Crédito: Matéria publicada dia 17/07/2016 no jornal Extra – disponível na web 18/07/2016

Planos de saúde populares devem custar a partir de R$ 80, para exames ou consultas.

Com a justificativa de aliviar a rede pública de assistência médico-hospitalar e manter o equilíbrio do sistema de saúde privado, que vem perdendo usuários por conta da crise no país, o Ministério da Saúde estuda permitir a criação de planos populares, com a oferta de serviços unificados, como consultas ou exames, por preços entre R$ 80 e R$ 120 por mês. Segundo a proposta inicial, se o usuário viesse a precisar de uma cobertura mais ampla, ele poderia escolher entre algumas ofertas a serem incluídas no convênio contratado.

O projeto está dando os primeiros passos. Quando for finalizado, será apresentado pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Caberá ao órgão autorizar e regulamentar a flexibilização.

— As propostas serão feitas pelo mercado. Nós não teremos ingerência sobre esse termo. Nosso papel é financiar a saúde e possibilitar que a população tenha acesso ao que deseja. Se preferir a saúde complementar com planos básicos, terá o serviço à disposição — disse o ministro.

A explicação de como funcionará o produto veio de Pedro Ramos, diretor da Associação Brasileira de Planos de Saúde:

— Será como se o usuário escolhesse seu combo de TV paga. Neste caso, ele vai selecionar a assistência médica que melhor lhe convém — disse.

O casal Isaac Vicente, de 29 anos, e Mônica Amorim, de 24, que hoje não tem cobertura de saúde, teria um plano popular em duas hipóteses.

— Teríamos um, se tivéssemos um filho ou um idoso para cuidar. Faria um bico para pagar o plano — disse ele

Associação alega que proposta é ineficiente

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e o Instituto Brasileira de Defesa do Consumidor (Idec) lançaram uma campanha contra a proposta do ministro Ricardo Barros. Para as duas instituições, os planos populares não resolverão o problema da saúde no país.

— Quem aderir a um plano popular não terá qualidade nos serviços, pois isso já não existe atualmente — alertou Nilton Pereira, vice-presidente da Abrasco.

Segundo ele, a associação planeja questionar de duas formas a proposta do Ministério da Saúde, ambas por via judicial, recorrendo ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A fiscal de ônibus Norma Sueli, de 57 anos, sabe exatamente que tipo de cobertura seria mais conveniente num plano popular. Mas reforça que, caso o serviço não seja de qualidade, melhor continuar indo a hospitais públicos.

— Se fossem inclusos exame de sangue, preventivo e ultrassonagrafia transvaginal, eu pagaria. Do contrário, não valeria a pena. Se é para pagar e não ter exames, prefiro ir para o SUS.

Desemprego é inimigo

De acordo com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, o desemprego que vem aumentando no país nos últimos tempos tem sido o responsável pela fuga de usuários dos planos de saúde particulares.

— A assistência suplementar só terá o crescimento desejado quando voltarmos a gerar empregos. As pessoas perderam seus postos e seus planos corporativos — disse.

Nas contas dos associações de saúde complementar, aos menos 1,5 milhão de pessoas deixaram de ter coberturas privadas em todo o país, desde 2014. O impacto recaiu sobre os hospitais públicos.

— O Rio de Janeiro sofreu com o aumento da demanda nos hospitais. Em 2015, tivemos que atender quase 400 mil pessoas a mais do que em 2014 — disse o secretário estadual de Saúde, Luiz Antônio Teixeira, durante a apresentação do plano de assistência de saúde para os Jogos Olímpicos.

Com a criação dos planos de saúde populares, a expectativa das empresas é de aumento em cerca de dois milhões de usuários da assistência complementar em um ano.

Crédito: Matéria publicada dia 17/07/2016 no jornal Extra – disponível na web 18/07/2016 

Proposta de criar planos de saúde populares causa polêmica no setor.

A proposta de criar planos de saúde mais baratos e com menos serviços do que os já existentes, feita pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, tem gerado polêmica no setor. Por um lado, as operadoras apoiam uma revisão das regras setoriais, por outro, profissionais ligados à saúde coletiva dizem que as medidas trariam perdas para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Solange Beatriz Mendes, presidente da FenaSaúde, associação que representa algumas das maiores operadoras de planos de saúde do país, entende que o setor tem que pensar novos produtos já que os custos para operadoras estão “excessivamente altos”. “Hoje temos custos na saúde acima da capacidade de pagamento da sociedade, tanto de empregadores quanto de pessoas físicas, então temos que encontrar um modelo que atenda a expectativa da população dentro do tamanho do seu bolso”.

A ideia de Ricardo Barros é criar uma nova opção de planos de saúde com preços mais acessíveis e com mais gente usando a saúde privada, desafogando um pouco o SUS. O ministro tem defendido que o orçamento da pasta nunca conseguiu arcar com todas as despesas desde a criação do SUS e que quanto mais pessoas contratarem planos de saúde, melhor para a saúde do país como um todo.

Atualmente, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão responsável por regular o setor de planos de saúde, tem um rol de procedimentos obrigatórios que todas as empresas devem ofertar aos clientes.

 “O rol é constituído com bases técnicas que levam em consideração o custo efetividade e evidências clínicas. Uma coisa é o rol, outra é todo o modelo que os produtos observam. Quando falo de modelo, é o padrão de acomodações, hierarquia de acesso, algumas variantes dentro do arcabouço legal que a gente possa trabalhar para evitar ocorrência de desperdícios”, disse Solange.

Crise

Em um período de alta do desemprego, entre maio de 2015 e maio de 2016, os planos de saúde perderam 1,4 milhão de usuários. Para Solange, o momento crítico pede revisão do modelo da saúde suplementar, já que estes ex-usuários irão passar a usar mais o SUS. ”O setor de saúde tem uma relação direta com emprego e renda. Portanto, os recursos estão escassos e precisa-se da compreensão de toda a sociedade para conseguir dar acesso à saúde para toda a população”.

Por outro lado, especialistas em saúde coletiva e membros do Conselho Nacional de Saúde vêm defendendo que a solução é garantir mais investimentos para a saúde pública. Logo que Barros tornou pública sua proposta, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva em parceria com o Instituto de Defesa do Consumidor emitiram nota adiantando que entrarão na Justiça caso os planos de saúde populares virem realidade.

Para as entidades, é falsa a ideia de que planos de saúde mais baratos aliviarão a rede pública. “No momento de recessão, desemprego e inflação, o que a população mais precisa é de proteção social e, portanto, de mais investimentos no SUS “, diz a nota.

Segundo as entidades, os planos de saúde já cometem “abusos” como negações e exclusões de cobertura, barreiras de acesso para idosos e doentes crônicos, reajustes proibitivos e rescisões unilaterais de contratos, demora no atendimento, e o modelo novo só pioraria o cenário..

Agência Brasil de Notícias 18/07/2016

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