Do Alfinete ao Foguete: Inmetro criará padrões de segurança para carros alegóricos.

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Carros alegóricos seguros

O Inmetro vai criar padrões de segurança para os carros alegóricos a partir do carnaval de 2018, para evitar acidentes como esse do carro caindo aos pedaços da Paraíso do Tuiuti.

Há seis meses, o presidente do Immetro, Carlos Augusto de Azevedo, se encontrou com representantes da Liesa para tratar do tema.⁠⁠⁠

Crédito: Coluna do Ancelmo Gois , publicada na Jornal O Globo do dia 28/02/2017 – disponível na internet 01/03/2017

MP cobra mais segurança nas apresentações das escolas na Sapucaí. Inmetro diz que não há regulamento.

Depois de quatro acidentes na Sapucaí, que deixaram 35 pessoas feridas, a segurança do carnaval do Rio, que tem carros alegóricos cada vez maiores e com mais efeitos especiais, está na berlinda. Sem divulgar com clareza quais regras precisam ser cumpridas para atender à fiscalização, a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) garante que as alegorias passam por testes exigidos pelo Corpo de Bombeiros e pelo Conselho de Engenharia e Agronomia do Rio (Crea-RJ). O promotor Márcio Guimarães, coordenador de grandes eventos do Ministério Público estadual, convocou uma reunião para amanhã, às 15h, na sede do órgão, no Centro, para tratar do assunto. De acordo com a delegada Aparecida Mallet, titular da 6ª DP (Cidade Nova), há indícios de que um dos desastres, ocorrido durante o desfile da Unidos da Tijuca, foi provocado por negligência:

— A perícia preliminar constatou que houve um problema em um dos pistões do carro alegórico. Já ouvimos o operador-técnico do carro, e ele disse que o motivo do acidente foi excesso de peso. O veículo tem uma capacidade de peso quando está parado e uma outra quando está em movimento. O operador-técnico afirmou que a capacidade era para dez pessoas, mas o carro estava com muito mais — disse a delegada ao “RJ TV”, da Rede Globo.

A maior preocupação neste momento é com o Desfile das Campeãs. O procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem, exige medidas rigorosas para evitar que acidentes voltem a ocorrer no sábado e nos próximos carnavais. O promotor Márcio Guimarães manifestou preocupação.

— Temos que saber se houve dolo nos acidentes. O carnaval cresceu muito, mas as medidas de segurança não acompanharam essa evolução. É preciso fazer uma checagem minuciosa dos equipamentos. Teremos um desfile no próximo sábado, e é claro que há desgaste nos carros, fadiga de materiais. Não podemos dizer que foram fatos isolados. Estamos diante de vários acidentes. Isso mostra que a fiscalização tem que ser mais firme. A responsabilidade dos órgãos em cada etapa precisa ficar bem definida. Há muitas instituições envolvidas, por isso, para o ano que vem, a ideia é fazer um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Partimos do pressuposto de que todos tenham boa-fé. Então, é preciso evitar que os erros que vimos neste carnaval se repitam. Isso é inadmissível numa festa tão grandiosa.

INMETRO DIZ QUE NÃO HÁ REGULAMENTO

imagem da web

Deverão participar da reunião convocada pelo MP representantes da Liesa, da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Lierj), da Riotur, do Corpo de Bombeiros, do Inmetro e especialistas do Crea-RJ e da Coppe/UFRJ.

Segundo o Inmetro, não há um regulamento com normas e padrões para a construção de carros alegóricos, o que torna difícil estabelecer protocolos de fiscalização. Atualmente, esses procedimentos são feitos com base em adaptações. O presidente do instituto, Carlos Augusto de Azevedo, disse que, há seis meses, procurou a Liesa para tratar da questão. Em março, será realizado um painel setorial (reunião com representantes da área) para a criação de regras.

Imagem da web

— Vou convocar, a partir de quinta-feira (amanhã), esta reunião — afirmou Azevedo em entrevista à GloboNews. — Não há motivo para demorar mais do que isso. Já temos um conjunto de regras para veículos especiais, de cargas perigosas.

O atropelamento de 20 pessoas por um carro alegórico desgovernado da Paraíso do Tuiuti, no domingo, e o desmoronamento da alegoria da Unidos da Tijuca estão sendo investigados pela 6ª DP (Cidade Nova). No primeiro caso, o motorista do veículo, Francisco de Assis Lopes, já foi ouvido. Ele é caminhoneiro e nunca tinha conduzido uma alegoria. A perícia também constatou que o veículo envolvido no acidente estava com uma roda quebrada.

Em relação ao desabamento do carro da Unidos da Tijuca, a polícia informou que ontem de madrugada, durante o desfile, foi realizado um exame pericial, o que chegou a atrasar a apresentação de algumas escolas. Já foram ouvidos representantes da escola e da firma responsável pela alegoria, que foi apreendida. “Todas as possíveis causas do acidente serão investigadas e diversas diligências estão em andamento com o fim de esclarecer o caso”, informou, em nota, a Polícia Civil.

Integrante da direção de carnaval da Mangueira, Moacir Barreto afirmou que, independentemente do resultado das investigações, grupos ligados ao carnaval já começam a se mobilizar para repensar o tamanho das alegorias, que cresceram nos últimos dois anos com a retirada da torre de TV que ficava próxima ao Setor 11. A estrutura foi substituída por uma outra, que é móvel e tem 12 metros de altura.

— É claro que todo mundo se prepara para evitar os acidentes. Fazemos testes de carga no barracão, temos toda uma equipe de projetistas. Mas, na Avenida, os carros ganham um volume diferente com os componentes pulando e a emoção do momento — disse Moacir. — Na Mangueira, este ano, reforçamos a estrutura de várias alegorias, colocando mais eixos, por exemplo. São cuidados para que nada de ruim aconteça.

Carnavalesco da Portela, Paulo Barros, conhecido pelas apostas ousadas, reclama há anos da pista dos desfiles. Ele disse que os carros são prejudicados por um desnível no asfalto, sobretudo no “cotovelo” que se forma entre a Avenida Presidente Vargas e a entrada da Marquês de Sapucaí, justamente onde aconteceram os dois acidentes. Além disso, Barros criticou a falta de cuidado com os carros alegóricos.

— O que mais prezo é a técnica, a segurança. Não preciso fazer carro com nove, dez metros de altura. Tenho que fazer carros que funcionem, que sejam seguros. O carnaval tem que entender que não está mais nos anos 1970, em que o carro era empurrado. Ele tem que ser cuidado, bem tratado, seguir uma técnica. As pessoas esquecem o que está dentro do carro alegórico e só pensam na forma externa, na estética. Devemos nos voltar para a segurança, estamos lidando com vidas — disse o carnavalesco, acrescentando que recorre a um engenheiro para calcular o peso que cada estrutura pode suportar. — Não vou dizer que a gente cuida melhor dos carros do que outras escolas, não. Mas sempre tive essa preocupação com a segurança. O desfile tem que dar certo e ser seguro. A minha estrutura é de prédio.

Engenheiro da Liesa e coordenador de dispersão da Mangueira, Edson Marcos foi um dos dirigentes a defender maior fiscalização das alegorias por bombeiros e pelo Crea-RJ. A Liesa, por sua vez, divulgou uma nota em que manifestou “preocupação” com os episódios ocorridos nos desfiles de domingo e segunda-feira. “Em 33 anos de existência do Sambódromo, inaugurado em 1984, houve poucas ocorrências dessa natureza. A entidade aguarda a conclusão da perícia”. Presidente da liga, Jorge Castanheira prometeu que o assunto será debatido:

— Vamos analisar para que se possa verificar os fatos e corrigir algo que esteja prejudicando.

Crédito: Rafael Galdo e Vera Araújo/O Globo – disponível na internet 01/03/2017

Após acidentes no carnaval do Rio, Inmetro vai agilizar criação de regras para carros alegóricos. Dois acidentes nos desfiles do grupo especial do Rio deixaram 32 pessoas feridas. Normas devem incluir construção e funcionamento das alegorias.

Acesse  a íntegra da matéria: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/carnaval/2017/noticia/apos-acidentes-no-carnaval-do-rio-inmetro-vai-agilizar-criacao-de-regras-para-carros-alegoricos.ghtml

Desabamento de um carro alegórico da Unidos da Tijuca feriu ao menos 12 pessoas na madrugada desta terça-feira (28). Dois deles estão em estado grave.
O acidente ocorreu quando a parte superior do carro alegórico ruiu. O carro número dois era “Nova Orleans – Cidade do Jazz” e estava a poucos metros da área da Marquês de Sapucaí onde o desfile efetivamente começa. Foto Arte/G1

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