“Hexagero”. 

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A Copa acabou. Para muitos, nem existiu. Para outros tantos, como os franceses, ela durará até a próxima, pois, nesta, conquistaram uma estrela e a taça testemunha da regularidade, sobriedade, persistência, propósito e desempenho nas partidas, independentemente dos adversários.
Houve quem desaprovasse o resultado, como a mídia financiada pela indústria desportiva, os conglomerados da Fifa e os patrocinadores esperançosos de que o Brasil não fosse eliminado prematuramente, conquistasse o Hexa e que os negócios fossem capitalizados conforme planejado.

Venderam uma seleção, um grupamento de jogadores individualistas, não uma equipe, um conjunto coeso. A lição que o torneio deixa é a diferença entre renomadas seleções que se despediram antecipadamente e as equipes desacreditadas lutando pelas vagas.

Torcedores insatisfeitos, como sempre, os ressentidos pela perda, infantilizados, postaram a intolerância e o preconceito, afirmando que o vencedor era africano e não francês, onde despontaram os atletas de cor, de origem das colônias e possessões, ou ainda, a bagarre (arruaça) feita pelos “suporteurs” ao desafiarem a polícia e as autoridades nas ruas, um pandemônio, provocando prejuízos ao patrimônio. Mas é bom que se diga que os jogadores são de fato franceses, apesar da origem ou descendência, não só naturais, como nacionais e não estrangeiros, assim como, a ação dos torcedores, sendo um fenômeno social, atual, de revolta resultante de pressões governamentais autoritárias, ou da participação de elementos reacionários que permeiam os modelos de sociedade existentes no mundo.

O torneio trouxe elementos inusitados divulgados pelos noticiários: a organização abrangente nos mais distantes locais; a invasão ordeira de torcedores de diversos países e o respeito dado aos visitantes; uma segurança exemplar, longe dos atos de terror e vandalismos; a beleza de um país desconhecido do mundo; grandes estádios modernos, oferecendo conforto e bem-estar; e a possibilidade de contestação das decisões dos juízes, em caso de dúvidas sobre faltas e atitudes antidesportivas, na utilização do Arbitro de Vídeo (VAR).

Comentaristas “globais” justificaram a eliminação brasileira como fruto da situação no País: a corrupção desenfreada; a situação econômica; o desemprego, resultando no desinteresse da torcida. Não ouvi nada sobre superfaturamento na construção dos estádios, investigações sobre dirigentes do futebol internacional e local, ação de cambistas ou delação de doleiros, muito menos de vazamentos de conversas entre políticos do partidão.

No Brasil, o campeonato segue. Os cartolas continuam mandando e decidindo os resultados no tapetão. A realidade se expressa com a preferência popular sobre determinado time, de maior torcida, e seu principal astro, líder nas pesquisas in totum. A força dos patrocinadores e da mídia cooptada exige que essa equipe seja eliminada por WO (Vitória Fácil) ao considerar a equipe impossibilitada de competir, eliminando suas possibilidades de triunfo claro, na primeira rodada.

Para tanto, os árbitros (principal e bandeiras), em acordo de convicções, vêm recusando todas as solicitações de consultas ao VAR, que mostraria a inexistência de faltas. A “associação arbitral” desconsidera todas as possibilidades de contestação. Os adversários, sem chances de competir mantendo equilíbrio ético, na altura do campeonato, ainda querem impedir que os tribunais superiores desobedeçam às regras estabelecidas na troca natural do seu presidente, em que pesa sobre o indicado da vez um histórico de torcedor daquela agremiação.

Recentemente, um árbitro superior deu seu parecer favorável, admitindo as justificativas pleiteadas pelos advogados do clube e a possibilidade da manutenção das condições necessárias para a continuidade na disputa. Rechaçado rapidamente por meio de uma série de impropriedades e inconveniências legais por um arbítrio, o principal jogador foi novamente instado à situação anterior, afastado coercitivamente da peleja ao ter recebido cartão vermelho, após um amarelo, sem respeitar a dupla penalidade exigida nas regras esportivas.

Constituem o que se pode chamar de “Hexagero” as sistemáticas ações de impedimento da participação deste time e de seu jogador principal e colocam em risco a lisura do certame, negando à maior torcida, mais uma vez, a conquista da estrela, trocando as cores das palavras de ordem “Allez les bleues” por “Allez lês rouges”.

Artigo publicado na página do jornal Correio do Estado (MS)  – disponível na internet 30/07/2018

Nota: O presente artigo não traduz a opinião do ASMETRO-SN. Sua publicação tem o propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

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