Por que o arroz está tão caro? Saiba os motivos da alta do preço da cesta básica

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Arroz e feijão
Arroz e feijão: nos últimos doze meses, o preço da cesta básica teve uma alta de 12,1% em São Paulo Foto: Divulgação

Em São Paulo, em agosto, a cesta básica teve uma alta de 2,9%. Nos últimos doze meses, a alta foi de 12,15%. Percentualmente, no entanto, a maior alta mensal ocorreu em Vitória (5%) e nos últimos doze meses em Recife (21,4% de alta).

E existem quatro grandes motivos para que essas altas tenham acontecido. O primeiro foi a mudança de comportamento do consumidor, que deixou de comer fora para cozinhar em casa, o que fez a demanda por produtos da cesta básica crescer.

A demanda internacional por alimentos também causou alta dos preços. A China, principalmente, decidiu aumentar o nível de estoque de alimentos. Isso fez com que o valor de diversos produtos aumentasse – e bastante. 

Além disso, o aumento de renda do brasileiro, muito puxado pela distribuição do auxílio emergencial, ajudou a população a ter mais acesso a alimentos – o que aumentou a procura sem, necessariamente, haver demanda suficiente para isso. 

Por último, o dólar valorizado frente ao real fez com que os produtos brasileiros ficassem mais baratos para exportação. Inclusive, ajudou a abrir novos mercados para os produtores brasileiros – até mesmo os de arroz. 

“Essa mudança de patamar de preço vai se manter e mesmo assim não enxergo o arroz como um produto caro”, diz Alexandre Velho, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz). “Uma família de quatro pessoas gasta R$ 20 para se alimentar a semana inteira, enquanto um refrigerante custa R$ 7.”

Por causa da alta dos preços, a Associação Brasileira de Procons pediu ao ministro da Economia, Paulo Guedes, o monitoramento das exportações. E disse estar de olho para evitar que haja reajustes muito altos nesse período de pandemia. 

Por meio de uma carta, a associação afirma que faz o “acompanhamento e o monitoramento dos mercados, com adoção de medidas adequadas que garantam a defesa do consumidor, através do reequilíbrio entre as exportações e abastecimento do mercado interno”.

Produtores sorrindo 

Muito concentrada no Rio Grande do Sul, a produção de arroz no Brasil sempre foi vista como menos competitiva às de países como Uruguai, Argentina e Paraguai.

Porém, com a alta da demanda pelo produto, os produtores até passaram a aumentar as áreas de plantio para o arroz, que estava perdendo espaço para outros produtos mais rentáveis, como soja e milho. De 2015 a 2018, a redução do espaço para plantio do arroz foi de 9%. Para este ano, é esperada uma expansão de até 5%.

“Podemos expandir para novos mercados, dependendo de como o dólar se comportar”, diz Velho, da Federarroz. 

Segundo dados do Ministério da Economia, as exportações de arroz sem casca, processado pela indústria de transformação, subiram 58,1% este ano até agosto na comparação com o mesmo período de 2019, totalizando US$ 276,9 milhões.

As exportações para a África do Sul entraram no mapa, tendo chegado a US$ 9,6 milhões, ante nenhuma venda em igual período do ano passado. As vendas para os Estados Unidos também subiram 233,2%, a US$ 18 milhões. 

Os principais destinos das vendas do produto brasileiro, contudo, foram Peru (US$ 42,6 milhões) e Venezuela (US$ 35,6 milhões). Para o Peru, as exportações subiram 28,9% e para a Venezuela, 165,5%. As importações de arroz processado, por outro lado, caíram 11,4% nos oito primeiros meses do ano, a US$ 135,6 milhões.

Para dar conta da demanda interna, o governo vai zerar a tarifa de importação para 400 mil toneladas de arroz.

“Com isso, o mercado vai se equilibrar e a gente afasta o risco de um possível desabastecimento”, disse Tereza Cristina, ministra da Agricultura, em entrevista à CNN.

Diante de números tão positivos, os produtores de arroz estão muito longe de reclamar dessa decisão que beneficia os seus competidores. 

Crédito: André Jankavski, do CNN Brasil Business – disponível na internet 09/09/2020

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