Caso Banco Master se agrava com a liquidação do Will Bank

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O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou novos e preocupantes contornos com a liquidação do Will Bank, ampliando o impacto de uma crise que já é considerada uma das mais graves do sistema financeiro recente. O episódio reforça questionamentos sobre governança, fiscalização, responsabilidade regulatória e proteção dos clientes e investidores.

De acordo com informações divulgadas pela imprensa, a liquidação do Will Bank soma-se a outras cinco instituições financeiras afetadas direta ou indiretamente pelo caso Master, evidenciando um efeito dominó que ultrapassa os limites de uma única operação. O que inicialmente parecia um problema restrito passou a revelar fragilidades sistêmicas, com repercussões relevantes no mercado de crédito, meios de pagamento e fintechs.

Outro ponto que chama atenção é a atuação da Mastercard, que executou dívidas do Will Bank e, como consequência, passou a deter participação acionária em empresas como BRB e Westwing. Esse movimento ilustra como a crise extrapolou o ambiente bancário tradicional, alcançando diferentes segmentos do ecossistema financeiro e comercial.

Especialistas têm alertado que o caso Master expõe falhas na supervisão prudencial, na transparência das operações e nos mecanismos de prevenção de riscos. A sequência de liquidações reforça a necessidade de ampliação do perímetro regulatório, maior integração entre os órgãos de controle e respostas mais céleres para evitar que problemas localizados se transformem em crises de maior alcance.

Diante desse cenário, cresce a pressão por investigações aprofundadas, responsabilização dos envolvidos e adoção de medidas estruturantes que fortaleçam o sistema financeiro nacional. Mais do que um episódio isolado, o caso Banco Master — agora agravado pela liquidação do Will Bank — configura um alerta institucional sobre os riscos da fragilidade regulatória e da ausência de transparência.

Diretoria Executiva do ASMETRO-SI 22/1/2026

Nota : As informações apresentadas nesta matéria têm como base reportagens publicadas por veículos de imprensa de circulação nacional e especializada. O ASMETRO-SI acompanha os desdobramentos do caso Banco Master com atenção, por se tratar de tema de relevante interesse público, que envolve a estabilidade do sistema financeiro, a atuação dos órgãos reguladores e a proteção dos consumidores e investidores.

Fontes de Consultas

  • O estrago do Banco Master ficou maior: Will Bank é liquidado – NEOFEED
  • Liquidação do Will Bank se soma a outras 5 relacionadas ao caso Master – CNN Brasil
  • Mastercard executa dívidas do Will Bank e vira acionista de BRB e Westwing – Folha de S.Paulo

Os riscos que vão além do Master

O caso do Banco Master é oportunidade para aprimorar as regras e manter o perfil técnico de órgãos como a CVM, mas os sinais de interferência política crescente são inquietantes
Os novos e escabrosos detalhes do caso Master somente confirmam que o Banco Central (BC) agiu corretamente, em novembro passado, ao decretar a liquidação extrajudicial do banco de Daniel Vorcaro, figura conhecida por suas muitas conexões em Brasília.
 

Embora interesses poderosos venham agindo de forma nada sutil para suscitar dúvidas sobre o processo de liquidação, o trabalho incessante da imprensa tem feito com que decisões no mínimo insólitas por parte do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal de Contas da União (TCU) sejam repensadas.

Mesmo sob pressão extrema, o BC decretou a liquidação extrajudicial da antiga Reag, gestora de recursos que, tal como o Master, teve crescimento vertiginoso nos últimos anos, e da Will Bank. A Reag é suspeita de ter ajudado o Master em um sofisticado esquema de fraude financeira por meio de fundos de investimento.

Apesar de as liquidações estarem seguindo seu curso, há grande inquietação no mercado financeiro sobre o impacto desses eventos sobre a credibilidade do sistema. Por essa razão, especialistas defendem o aprimoramento de regras existentes, bem como indicações estritamente técnicas para as diretorias do BC e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Hoje responsabilidade da CVM, a fiscalização de fundos de investimento, à luz do caso Reag, tem se mostrado inconsistente. O sigilo de fundos de cotista único, em especial, tem sido causa de grande preocupação.

Em entrevista ao Valor, o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga defendeu que o sigilo seja repensado. Tal como funciona atualmente, o sigilo permite que, na prática, fraudadores lavem dinheiro por meio dos fundos de cotista único, que favorecem a utilização de “laranjas”.

Na mesma entrevista, Fraga também defendeu a adoção do modelo “twin peaks”, pelo qual o BC e a CVM se converteriam em superórgãos reguladores, responsáveis pelo monitoramento, a regulação e a supervisão do mercado financeiro.

Por sua vez, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu, em entrevista ao UOL, que o perímetro regulatório do BC seja ampliado. De acordo com Haddad, “tem muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central e que está no âmbito da CVM”, o que para ele é um equívoco.

De vital importância para a robustez do sistema financeiro nacional, toda essa discussão se dá em um contexto de instituições desfalcadas e de demandas ainda mais ferozes do Centrão.

Um exemplo é a CVM, cujo colegiado é composto por cinco membros (o presidente e quatro diretores) e que atualmente está sem presidente e conta com apenas dois diretores.

No início de janeiro, impondo mais uma derrota a Haddad, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou o advogado Igor Muniz para uma das diretorias da autarquia, e o advogado Otto Lobo para a presidência. As indicações têm de ser referendadas pelo Senado. A Fazenda defendia outros nomes.

Lobo liderou a CVM de forma interina entre julho e dezembro no ano passado, período no qual esteve envolvido em uma série de polêmicas, entre as quais votações no colegiado que acabaram por favorecer o Master, mas não só.

No momento em que as entranhas do Master são pouco a pouco expostas ao público, era de se esperar que alguém com perfil distinto de Lobo fosse indicado para liderar um órgão tão importante quanto a CVM.

Consta, porém, que Lobo tem ótimo trânsito com políticos do Centrão, membros do Judiciário e da elite corporativa do País, razão pela qual não se espera que o nome dele seja barrado no Senado. Ao contrário. Para aprovar o ungido de Lula ao STF, Jorge Messias, o Centrão teria exigido Lobo na CVM. Não bastasse isso, há interesse também nas duas diretorias atualmente vagas no BC.

Apesar de todo o prejuízo à imagem do País e aos investidores, o caso Master ainda pode se converter em um paradigma de como aproveitar uma crise para o bem público.

Infelizmente, contudo, os sinais vindos de todos os lados são de que o BC e a CVM, em vez de terem seus quadros e processos protegidos de interesses estranhos a seus propósitos, estão cada vez mais ameaçados de sucumbir ao aparelhamento político.

Crédito: Opinião do Estadão (Notas & Informações) / O estado de São Paulo – @ disponível na internet 22/1/2026

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