Nos últimos meses, o colapso do Banco Master e os desdobramentos do escândalo de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) continuam a dominar o noticiário nacional, evidenciando impactos econômicos, jurídicos e políticos que ultrapassam a esfera financeira e atingem a confiança pública nas instituições brasileiras.
1. Banco Master: da Liquidação às Investigações em Curso
O Banco Central determinou, em novembro de 2025, a liquidação extrajudicial do Banco Master, depois de identificar irregularidades na emissão de títulos de crédito e uma expansão de crédito consignado considerada atípica e sem lastro documental adequado — ações que geraram prejuízos bilionários a investidores e fundos de pensão. A Polícia Federal prendeu o principal acionista, Daniel Vorcaro, no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura a emissão de títulos questionáveis e possíveis fraudes sistêmicas no sistema financeiro.
O caso ganhou nova fase com o envolvimento do Tribunal de Contas da União (TCU), que agora discute a inspeção de documentos do Banco Central sobre a liquidação, e vê contestação sobre a necessidade de decisão colegiada do tribunal para intervir em ativos do processo. Há inclusive movimentação para eventual bloqueio temporário de vendas de bens na liquidação para proteger valores que somam cerca de R$ 41 bilhões de reais, parte dos quais se encontram no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) enquanto investidores aguardam compensações.
O chefe do TCU afirmou que apenas o Supremo Tribunal Federal (STF) poderia reverter a decisão de liquidação, reforçando a pertinência de uma avaliação jurídica aprofundada dos atos do Banco Central.
2. Repercussões Políticas e Institucionais
O caso do Master ganhou dimensão política com teorias e acusações cruzadas nas redes sociais e no debate público. Postagens de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro tentaram relacionar o ministro Alexandre de Moraes do STF ao caso Master, sugerindo que a prisão de Bolsonaro teria servido como “cortina de fumaça”. As alegações envolveram menções a um contrato do escritório de advocacia da esposa de Moraes com o banco — informação que, embora factual em parte, foi apresentada de forma a criar associações que ainda carecem de comprovação direta sobre influência indevida.
Essas narrativas deram origem a memes e apelidos políticos nas redes, como o termo “Careca do Master” para Moraes, que se espalharam em debates online e viraram símbolo de críticas à suposta “centralização de poder” nas cortes superiores.
3. INSS: Fraudes e Impactos sobre Aposentados e Pensionistas
Paralelamente, as investigações sobre fraudes no INSS — popularmente chamadas de “Farra do INSS” — prosseguem com grande repercussão jornalística e parlamentar. O esquema revelou descontos indevidos e operações de crédito consignado com contratos questionáveis, afetando milhões de aposentados e pensionistas.
Dentro desse panorama, investigações administrativas do próprio INSS identificaram graves falhas na documentação de mais de 250 mil contratos de consignado assinados com o Banco Master entre 2021 e 2025. Técnicos do instituto apontam que cerca de 74% dos contratos não possuem comprovação documental adequada, lançando dúvidas sobre a validade jurídica das operações e sobre a proteção do consumidor beneficiário do sistema previdenciário.
Em dezembro de 2025, o INSS suspendeu repasses relacionados a consignados do Banco Master, bloqueando cerca de R$ 27 milhões, em meio a um processo administrativo que investiga irregularidades no acordo técnico que permitia ao banco operar crédito consignado junto ao instituto.
4. Interseção dos Casos e Percepção Pública
Embora inicialmente tratados como episódios distintos — um de natureza financeira e outro de gestão previdenciária — a mídia e setores do Congresso têm apontado interseções entre os casos, especialmente na atuação de atores políticos e empresariais em diferentes esferas de regulação e supervisão. Há pedidos de investigação mais aprofundada na CPI do INSS sobre possíveis conexões entre atores do Banco Master e práticas que afetaram a previdência social.
A crescente cobertura dos dois temas reflete não apenas as dimensões jurídicas e econômicas, mas também um debate mais amplo sobre ética, governança e a confiança nas instituições públicas e privadas no Brasil neste início de 2026.
Diretoria Executiva do ASMETRO-SI 9/1/2026
Fontes de Consulta
Reuters: decisão do TCU sobre inspeção de documentos da liquidação do Banco Master e pauta sobre ativos e compensações.
Reuters: discussão sobre bloqueio de ativos na liquidação do Banco Master pelo TCU.
Reuters: posição do TCU sobre reversão da liquidação apenas pelo STF.
Agência Brasil (EBC) – cobertura sobre a nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal em oito estados para combater fraudes no INSS.
Agência Senado – a CPMI do INSS aprovou pedidos de prisão preventiva para investigados por fraudes contra aposentados e pensionistas, incluindo ex-dirigentes e empresários citados nas apurações.
CNN Brasil – reportagem sobre as investigações em curso, inclusive sobre esquemas milionários de propina e entidades associativas envolvidas nos descontos ilegais.













