O desenrolar do chamado Caso Master ultrapassou os limites de um escândalo financeiro de grandes proporções e passou a atingir um dos pilares centrais da democracia: a confiança da sociedade nas instituições, em especial no Supremo Tribunal Federal (STF).
A cobertura recente da grande imprensa tem sido convergente ao apontar que o problema central já não é apenas jurídico, mas ético, institucional e simbólico. O debate público não se resume às decisões formais da Procuradoria-Geral da República ou aos argumentos processuais apresentados. O que está em jogo é a legitimidade percebida do Supremo perante a sociedade.
Articulistas de diferentes linhas editoriais destacam que o uso recorrente do discurso de “defesa da democracia” como escudo para afastar críticas legítimas acaba produzindo o efeito inverso: fragiliza a autoridade moral da Corte. Como observou Roseann Kennedy, uma apreciação ética clara sobre as conexões e circunstâncias envolvendo o caso seria um caminho mais eficaz para preservar a integridade institucional do STF.
No mesmo sentido, a repercussão negativa do posicionamento público de ministros — inclusive com a atribuição de “notas da comunidade” em redes sociais — revela um fenômeno inédito e preocupante: a erosão da deferência simbólica tradicionalmente associada à Suprema Corte. Quando decisões e manifestações passam a ser questionadas não apenas por juristas, mas pela opinião pública em larga escala, o problema deixa de ser conjuntural.
Mário Sabino, ao recorrer a Rui Barbosa, relembra um princípio essencial da República: a imprensa como vista da nação. Ignorar ou desqualificar o papel da crítica jornalística não fortalece instituições — ao contrário, aprofunda o distanciamento entre o poder e a sociedade que ele deve servir.
A percepção pública, como destaca Thais Oyama, tornou-se um elemento incontornável. Em democracias maduras, a legitimidade não se sustenta apenas na legalidade formal, mas também na confiança social. Quando essa confiança se rompe, nenhuma nota oficial é suficiente para restaurá-la.
O Caso Master, portanto, funciona como um alerta institucional. Não se trata de atacar o Supremo, mas de reconhecer que transparência, autocontenção e responsabilidade ética são condições indispensáveis para preservar sua autoridade. Democracia não se defende com blindagem ao poder, mas com instituições fortes, abertas ao escrutínio público e conscientes de que legitimidade se constrói — e se perde — todos os dias.
Diretoria Executiva do ASMETRO-SI 24/1/2026
- Fontes e referências jornalísticas
- SABINO, Mário. Entre a nota de Fachin e Rui Barbosa, fico com Rui Barbosa. Metrópoles.
- KENNEDY, Roseann. STF usa discurso de “defesa da democracia” como escudo para rejeitar críticas. O Estado de S. Paulo.
- OYAMA, Thais. Como percepção pública, a desonra persegue Toffoli e Moraes. O Globo.
- Post de Gilmar sobre decisão da PGR sobre Toffoli ganha “nota da comunidade” no X. Estadão / InfoMoney.













