Presidente e Executivos do Bradesco são denunciados pelo MP no mesmo dia que banco mostra queda no lucro.

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A quinta-feira, 28, definitivamente não começou bem para o Bradesco.  No mesmo dia em que o banco anunciou queda de 7,6% nos lucros do segundo trimestre do ano, o presidente da instituição, Luiz Carlos Trabuco, o diretor de Relações com Investidores, Luiz Carlos Angelotti, e o vice-presidente, Domingos Figueiredo de Abreu foram denunciados pela Procuradoria da República no Distrito Federal no âmbito da Operação Zelotes.

No total, 10 pessoas, entre executivos do Bradesco, empresários, advogados e servidores da Receita Federal, são acusadas de supostas irregularidades cometidas no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). O objetivo era o banco se livrar de multas e cobranças de tributos impostas pelo órgão.

Nos três casos denunciados pelo Ministério Público Federal, os valores que o Bradesco deixaria de pagar com o esquema criminoso, com prejuízo para a União, somam R$ 4,36 bilhões. São R$ 3 bilhões do julgamento do Carf, R$ 360 milhões de um pedido de compensação de PIS/Cofins, e R$ 1 bilhão relativo a uma revisão tributária.

O procurador da República do MPF do Distrito Federal Frederico Paiva explica que as relações de negócios entre os executivos do Bradesco com os servidores e advogados que formam a organização criminosa chefiada pelo auditor fiscal Eduardo Cerqueira Leite ocorrem desde 2004.  “Temos emails, ligações telefônicas interceptadas e diversas outras provas robustas que sustentam nossa denúncia”, garante.

Cid Carlos de Freitas, do Ministério da Fazenda, acrescenta que, ao longo das investigações, foram apurados mais de 30 processos envolvendo Bradesco e a organização criminosa. “Essa é uma primeira denúncia, mas são mais de três dezenas de negociações. Estamos investigando todas elas”, afirma Freitas.

E o MPF não está de olho apenas no Bradesco. O procurador da República Herbert Mesquita alerta que mais denúncias serão feitas ainda este ano, envolvendo outras instituições financeiras e empresas que usavam os serviços da mesma organização chefiada pelo funcionário público Eduardo Cerqueira Leite. “Os criminosos ofereciam vários ‘produtos’. Em um deles, a propina estipulada chegou a R$ 30 milhões”, detalha.

No segundo trimestre do ano, o Bradesco registrou lucro de R$ 4,1 bilhões. O resultado, que decepcionou os investidores, reflete o aumento de 41,5% nas reservas contra calotes, o equivalente. R$ 5 bilhões entre abril e junho. As ações do banco estão em queda. Pouco antes da hora do almoço, 12h45, os papéis ordinários (ON) caiam 3,35% e os preferenciais (PN), 4%.

Em entrevista para divulgar o balanço do Bradesco, o diretor de relações com o mercado do banco, Carlos Firetti, disse que a instituição está confortável em relação à Operação Zelotes. “Não temos mais nenhuma informação a divulgar e estamos confortáveis com nossa posição”, frisou.

Crédito: Blog do Vicente do Correio Braziliense – disponível na web 29/07/2016

 

 

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