O poeta espanhol Gustavo Bécquer dizia que “a sociedade é muito linda quando se tem alguém para dizer isso”. Uma reflexão nua e crua quando o Instagram se enche de férias, eventos sociais e diversões alheias. Algo acontece. Talvez o tempo tenha feito você se desconectar daqueles que antes chamava de amigos. Ou as obrigações, as mesmas que acabaram com sua união anterior, tenham impedido que você encontre um novo par. O certo é que, ultimamente, você se sente muito só. E, como você, até uma em cada quatro pessoas nas cidades. Inclusive as que estão sempre rodeadas de gente. Essa solidão não escolhida provoca mais do que dor. Segundo “uma análise de 70 estudos com mais de três milhões de participantes, [a solidão] aumenta as probabilidades de mortalidade em até 29%, aproximadamente o mesmo que a obesidade”, escreveu John T. Cacioppo, catedrático de Psicologia da Universidade de Chicago e autor do livro Loneliness (Solidão). Como primeiro passo para combatê-la, convém entender uma coisa: “Todas as emoções são energias para agir e, embora seja certo que a solidão pertence à esfera da tristeza, não é mais do que a semente da mudança.” É o que explica Ángel Luis Sánchez, psicólogo e diretor do Instituto de Desenvolvimento, na Espanha. Ele diz que o problema chega quando “ficamos estancados com a solidão, sem evoluir”. Veja, a seguir, algumas dicas para lutarmos contra a ameaça de que a solidão se instale em nossa cabeça.






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Escreva e dê asas à imaginação Como diz um provérbio chinês, “se escuto, esqueço; se vejo, recordo; e se escrevo, entendo”. Que seja para plasmar seus sentimentos ou o que quiser, mas pegue a caneta. A vertente terapêutica da escritura, demonstrada numa infinidade de estudos científicos, é uma arma poderosa também nesse sentido. “Escrever ou desenhar sobre o papel um desejo para si mesmo ou para os seres queridos é uma porta de saída da solidão”, afirma a psicóloga Lecina Fernández. Ela aposta nessa segunda ação, a de criar sonhos para os demais. “Em meu estudo ¿Qué es la ilusión? (O que é a ilusão?), pudemos determinar que 93% dos espanhóis associam o desejo positivo aos demais, sendo esse provavelmente o polo radicalmente oposto à solidão e aos sentimentos que ela provoca.”