ANS pode aprovar o maior reajuste da história dos planos de saúde

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ANS pode aprovar o maior reajuste da história dos planos de saúde individuais

Em 2016, a ANS autorizou um reajuste de 13,57%, o maior da história da agência. Este ano, segundo estudos recentes, a alta poderá ser ainda maior

Em 2021, os raros consumidores que possuem um plano de saúde individual receberam uma notícia histórica: ao invés dos recorrentes aumentos, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou um desconto de 8,2% nos planos de saúde. A boa notícia, no entanto, não vai se repetir este ano. Se as recentes projeções de especialistas se confirmarem, o brasileiro poderá precisará engolir nada menos que o maior reajuste da história do órgão regulador. O recorde foi de 13,57% em 2016.

De acordo com as recentes projeções, os reajustes estariam entre 15% e pouco mais de 18%, o que superaria com folga o recorde de 2016.

O estudo mais recente é do IESS (Instituto de Estudos da Saúde Suplementar). De acordo com o levantamento, a variação dos custos médico-hospitalares feita pela IESS (VCMH-IESS), cálculo que verifica a média ponderada entre as diferentes categorias de preços do serviço, foi de 18,2% para o período de 12 meses, encerrado em junho de 2021.

“Observa-se uma retomada do crescimento do indicador em março de 2021, após oito meses de variação negativa. Destaca-se que nesse período a VCMH das terapias permaneceu positiva, ou seja, a despesa com esse tipo de procedimento cresceu. Também é importante notar que para internações e OSA (outros serviços ambulatoriais) o período de VCMH negativa foi curto (setembro de 2020 a novembro de 20 para internações e dezembro de 2020 a janeiro de 2021 para OSA) e a variação das despesas com esses itens tem permanecido positiva. Quanto a consultas a VCMH ainda está negativa e para exames ela ficou negativa até abril de 2021. Isso deveu-se exclusivamente a redução da frequência, pois os custos cresceram durante todo o período”, justifica a entidade no estudo.

Outra projeção de aumento está em um recente relatório do BTG Pactual. Eles apontam um crescimento menor que o IESS, porém acima do recorde de 2016: até 15%.

“O reajuste negativo de 2021 refletiu uma utilização anormalmente baixa (dos planos) em 2020, quando muitos procedimentos eletivos foram adiados na primeira onda de covid-19 no Brasil. Por outro lado, como as despesas médicas dispararam em 2021, enquanto a base de vidas nos planos de saúdes individuais encolheu, esperamos um forte aumento de preço para o ciclo de 2022″, informou o BTG.

 ANS decide e ‘subtratamentos’

O próximo índice oficial começa a valer entre maio de 2022 e abril de 2023 e será definido pela ANS.

Segundo Rafael Robba, especialista em direito à saúde do escritório Vilhena Silva Advogados, é prematuro afirmar qual será a decisão da ANS, porém uma coisa é certa: haverá um aumento este ano, diferentemente do ano passado.

“De forma mais recente, o BTG Pactual divulgou uma previsão de 15% e agora o IESS soltou esse percentual de 18%. Eu vi ainda uma variação positiva de 12%. Por enquanto, eu penso que ainda é muito especulativo. A ANS vai fazer a apuração com base nos dados de todos os planos individuais do mercado, então ela tem uma análise mais ampla. Eu imagino que o índice não será negativo para este ano, mas não deverá chegar a 18%’, afirma.

Para Cláudio Tafla, presidente da ASAP, entidade sem fins econômicos criada para desenvolver uma gestão mais eficiente na saúde suplementar, a pandemia mudou a rotina nos cuidados com a saúde e resultou em “subdiagnósticos” e, consequentemente, ‘subtratamentos” no período.

“Toda essa inflação ainda tem uma demanda reprimida de casos em que, com a pandemia, as pessoas ficaram foram do ambiente de acompanhamento e gestão das suas doenças. Com isso, com certeza, nós vamos ter um ‘subdiagnóstico’ dessa população durante esse período, um ‘subtratamento’ das doenças crônicas não transmissíveis – hipertensão, diabetes – e um subdiagnóstico de cânceres, porque as pessoas não fizeram seus exames. Então tudo isso vai impactar num tsunami de casos que a gente vai ter que harmonizar junto com aqueles casos que vão acontecer naturalmente com a liberação da demanda”, afirma.

E os planos coletivos?

O futuro dos planos coletivos empresariais é outra incógnita quando o assunto é reajuste. No entanto, o aumento é quase certo e há quem aposte em um percentual bem superior aos planos individuais.

É o que afirma Daniela Scott Capanema, advogada do escritório Sarubbi Cysneiros Advogados Associados. “Enquanto os planos individuais apresentaram uma redução de valor no patamar de menos 8,19% em 2021, os planos coletivos tiveram um aumento de 16%, mesmo após um lucro de 50% de gastos no ano anterior em razão da pandemia. Ou seja, se mesmo com lucro histórico em 2021 as operadoras aumentaram 16% do valor das mensalidades dos planos coletivos, conjecturemos o enorme aumento que estar por vir com o retorno, em massa, dos usuários aos serviços. Certamente os consumidores dos planos coletivos deverão tirar o burro da sombra e esperar por significativo aumento das mensalidades em 2022”, afirma.

Crédito: Ivan Ventura/Consumidor Moderno – @ disponível na internet 26/05/2022

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