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Pets melhoram a vida dos tutores?

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Pets melhoram a vida dos tutores? Saiba o que a ciência diz sobre a relação entre pessoas e animais domésticos

A convivência com um animal de estimação é capaz de melhorar a saúde de uma pessoa? Para os amantes dos pets, a resposta é sim: um gato pode, por exemplo, ser um aliado no combate à solidão para um idoso; um cachorro tem potencial para ser um elo entre integrantes de uma família.

Estudos à parte, em 2023 os pets somavam 167,6 milhões de indivíduos no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet).

Foram contabilizados 67,8 milhões de cães e 33,6 milhões de gatos. Havia ainda 285 mil empresas voltadas para os pets no país, o que faz do Brasil o terceiro maior mercado do gênero no mundo – atrás apenas de Reino Unido e Estados Unidos –, conforme a Abinpet.Luciano Trevizan, doutor em Zootecnia e professor da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que milhares de anos foram necessários para que cães e gatos fossem domesticados.

Os primeiros evoluíram dos lobos há cerca de 100 mil anos: acredita-se que a aproximação ocorreu pelo interesse das alcateias na sobra da alimentação humana.

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Levantamento estima que havia 33,6 milhões de gatos no Brasil em 2023.Elvira / adobe.stock.com

— Era um processo de autoajuda: o lobo recebia um alimento e dava em troca a proteção. Mas não existia essa relação tão próxima como há hoje com o cão. A partir dos anos e do processo de seleção natural, o homem passou a criar os lobos que eram mais mansos — conta Trevizan.

Já os gatos têm a domesticação relacionada ao período no qual os seres humanos passaram de caçadores-coletores para fazendeiros sedentários, há cerca de 10 mil anos, no Oriente Médio.

— Os gatos eram predadores de ratos, que comiam grãos. Naquele contexto, os gatos, que eram de uma espécie completamente carnívora, funcionavam como uma ferramenta de preservação dos alimentos produzidos. No Antigo Egito, por exemplo, os gatos foram tão importantes que se confundiram com a própria religiosidade egípcia — acrescenta o professor.

Estudos buscam compreender benefícios

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Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação, país contabiliza 67,8 milhões de cães.Eva / stock.adobe.com

O passar dos milênios fez com que o relacionamento por motivos “utilitários” migrasse para uma convivência próxima. O levantamento Radar Pet 2023 exemplifica a mudança histórica: em 2023, 29% dos tutores brasileiros consideravam seus cães como verdadeiros membros da família; o percentual era de 25% em 2019. A Comissão de Animais de Companhia (Comac) do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) é a responsável pelo estudo. A situação é um fenômeno global que fez o papa Francisco lamentar que animais domésticos substituam os filhos.

— Tratar um pet como um familiar é algo que temos visto frequentemente. Nos consultórios, observamos o luto dos tutores, que, muitas vezes, desenvolvem quadros depressivos ou transtornos em função da perda do animal. Também há vários estudos sobre o impacto (dos pets) na saúde psicológica — afirma Tatiana Irigaray, psicóloga que pesquisa a relação entre seres humanos e animais domésticos.

A estudiosa diz acreditar que há benefício para pessoas na relação. Como exemplo, cita uma pesquisa em andamento que envolveu 215 pessoas com 59 anos ou mais.

— As pessoas com animais domésticos tinham menos sintomas de depressão do que as que não tinham pets — resume Tatiana, também professora da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Outros estudos do gênero associam a convivência ao aumento do bem-estar, da autoestima e da felicidade em tutores de todas as faixas etárias, pois os pets oferecem uma companhia capaz de estimular a socialização e incentivar hábitos como caminhadas diárias. Tatiana argumenta:

— Os animais fazem com que as pessoas tenham uma rotina em função deles. Para quem mora em apartamento, há a hora de levar os cachorros para passear, o que motiva a interação com outras (na rua) e com aquelas que gostam de animais. Os pets são catalisadores de outras relações e se destacam como um atenuante da solidão, tornando mais feliz a vida dos tutores.

São vários os estudos que associam a presença de animais domésticos ao benefício desenvolvimento infantil. O Instituto Karolinska, de Estocolmo, Suécia, por exemplo, afirma que crianças que convivem com cachorros têm menor probabilidade de desenvolver asma.

Já pesquisadores australianos descobriram que crianças entre dois e cinco anos que conviviam com cães tinham níveis mais elevados de atividade física, o que poderia ser auxiliar no combate à obesidade. Somado a isso, conforme a professora da PUCRS, animais de estimação ajudam crianças a desenvolver habilidades sociais e emocionais:

— Os estudos mostram que crianças com animais geralmente têm um maior nível de autoestima em relação às que não têm pets. Também há indicação de que haveria um melhor desenvolvimento da linguagem quando elas têm um animal interagindo. Outro ponto positivo é que a criança desenvolve a questão do cuidado, da responsabilidade.

A docente pondera, porém, que há estudos que não encontraram benefícios na relação com animais. Há materiais apontando que esse relacionamento pode ser prejudicial às pessoas, levando ao aumento da depressão, piora da saúde física, aumento do tédio, solidão e diminuição da satisfação com a vida. Outros levantamentos não observaram diferenças entre tutores e não tutores em medidas como autoestima, saúde física, satisfação com a vida e estresse.

— A literatura recente mostra que apenas ter um animal no pátio longe do convívio da família e com pouca interação não vai trazer benefícios aos tutores. Portanto, para usufruir dos benefícios citados em pesquisas sobre a posse de animais, é necessário ter a convivência — completa Tatiana.

Como tratar bem os animais

Os especialistas argumentam que é preciso estar atento não apenas ao bem-estar humano na relação. Atitudes que parecem benéficas podem prejudicar a saúde dos pets. A primeira, na avaliação do professor Luciano Trevizan, é a “humanização” dos animais domésticos

— É um problema a pessoa entender que o animal deva ser tratado como uma criança. Roupas e adereços podem incomodá-lo, levando ao desconforto. A oferta excessiva de alimentos ou o uso de alimentos não dedicados aos pets repercutem no sobrepeso e obesidade. Colocar roupas para passear no inverno atrapalha um cão na perda de peso, por exemplo. Excesso de cuidado que pode ser prejudicial — pontua o docente da UFRGS.

Para a médica veterinária Marinês Bortoluzzi, o bem-estar animal deve ser considerado antes mesmo da decisão pela compra ou adoção de um pet. A escolha deve respeitar condições como o local de moradia, tempo para cuidar dos animais e recursos para a rotina de gastos.

— Não pode ser uma atitude feita na emoção, por achar bonitinho, fofinho, sem estudar sobre aquela raça, alimentação, sem considerar o espaço disponível para o animal. É importante ter uma reserva financeira para investir nos tratamentos. Temos de considerar que seremos os responsáveis por esse animal pelo resto da vida dele — pontua Marinês, também integrante do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV) do Rio Grande do Sul.

Para a especialista, outro ponto de atenção deve ser a quantidade de animais adotados: evitar que sejam solitários é uma sugestão dela, mas deve haver limites para a companhia.

— Animais são mais felizes se têm ao menos outro da mesma espécie para interagir. Pode ser estressante se houver uma grande quantidade de pets. Para gatos, até três é tranquilo; mais do que isso pode ser um problema. Para cachorro, depende bastante do espaço — pontua.

Crédito: Vinicius Coimbra / GSH Saúde – @ disponível na internet 4/6/2024


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